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Pena que não é meu…

Estou com o Illustration Now!, um compêndio de 150 ilustradores. Coisa fina.

Da Taschen, e se alguém quiser me dar de presente, fica a dica.

E os livros que eu quero…

São todos sobre a Wiener Werkstätte e o papel das mulheres na arte e no design, coisa boa demais.

Eu preciso escrever.

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Considerando

Em dia dedicado à preguiça, me instalei diante da tevê e aí fiz aquilo que ninguém deveria ter coragem de fazer… Assisti ao Brazil’s Next Top Model.

Me poupa. Me economiza, alguém me ajuda!

Um absurdo de programa e sem Miss Jay (do original, hosted pela Tyra Banks).

Primeiro aquela hostess muito sem graça, muito artificial e top onde? em Dubai?

 (Por sinal, todo mundo vai pra Dubai agora…)

O resto do board, sem comentários.

Mas o que me pega é o pensamento decadente. As meninas são todas lindas, altas, magras, têm presença. Aí, o board lindinho vem com os comentários toscos: fulana é gorda, malhada, esquisita…

Jesus, me abana!

Aí lembro da Sylvia Demetresco falando que a gente tem que parar de pensar em modelo “tamanho pulga”, que ninguém quer mais isso. Direto de Paris!

Nem tanto ao mar e nem tanto à terra, mas tem umas coisas que eu penso.

A discussão sobre a magreza das modelos ainda está na ordem do dia. E as meninas são cada vez mais jovens. TV a cabo hoje não é algo dificílimo de se obter e qualquer pessoa que se interessa minimamente por Moda vai passar os olhosnum programa como esse, inclusive as aspirantes a modelo.

E aí? Que imagem é essa, que necessidade de perfeição, que é inatingível per se!

Outra coisa que me incomoda é que o raio do programa é editado. E se isso é o que passa pela edição, que medo que eu tenho da versão sem cortes!!!!!!!!

Atenciosamente,

Algumas palavras…

bio_05.jpg

Gesamtkunstwerk.

e esse baita palavrão, com jeito e som de obscenidade estrangeira só quer dizer, sim senhora… Obra de Arte Total.

É que eu estou aqui me colocando, pensando na minha História de insucessos, e pra contar essa coisa não dá pra deixar de olhar pros opositores. E o maior opositor é o Adolf Loos. Genial por ele mesmo, fiel às suas propostas, mas só mais que um tiquinho parecido com um antecessor do Clement Greenberg, sabe?

Pois é que lá no fim do século XIX essa coisa de popularizar a arte, tornar alcançável e todas essas coisas não parecia nada bom.

Bom, estou lendo o texto de 1890, chamado “Sobre um Pobre Homem Rico”.

É véspera de feriado… e eu estou ouvindo Karnak.

Ensinando a Desenhar

 

Desde o início desse ano, tenho, de uma forma ou de outra, nesta ou naquela escola, dado aulas de desenho.

 Num curso livre, você tem tempo, material, um programa pré-estabelecido e um método que vem funcionando – por mais que nem sempre tenha tudo a ver com a sua mecânica.

Na universidade, o tempo é escasso. Os alunos muitos, o espaço inadequado – no geral – e o desinteresse permanece… enquanto eles mesmos – os alunos – não percebem que conseguem desenhar, que respondem e correspondem às expectativas.

Minhas e deles.

As minhas são sempre altas. As deles, hahá, maiores ainda.

Tive a surpresa enorme e muito grata mesmo de ver a evolução dos meus alunos de desenho, de desenvolver um arranjo de aulas quase individualizadas, ainda que numa classe com mais de setenta pessoas.

A resposta é magnífica.

O retorno melhor ainda.

Num outro blog que eu tive, logo depois do desfile de graduação, postei uma espécie de manual que era mais um desabafo, meio que contando todas as coisas que eu queria ter sabido antes de começar. Mas ninguém te avisa.

Aí eu fico pensando que eu hoje tenho alunos e que de alguma forma eu tenho uma responsabilidade com eles.

O melhor que eu poderia fazer, no tête-a-tête, é ser um pouco mais dura. Mas sou soft, e tendo a dar liberdade criativa aos que me cercam.

Então, o que eu gostaria que eles soubessem é que não existe pesquisa grande o bastante, que o melhor trabalho vem do fundo da alma, que o trabalho honesto fala pela gente, que não é porque todo mundo faz que a gente tem que copiar.

Que, como disse a Natalie, do MFH, sustentabilidade e responsabilidade social é ser honesto.

Que, definitivamente, nada sai perfeito na primeira tentativa.

Que pra fazer uma coleção de 30 looks, é preciso desenhar um pouco mais que o dobro disso.

Que quem faz Moda tem que ler muito, ver muito, pensar muito. E que essa história do champanhe e do glamour é uma ilusão danada.

 Que fazer Moda não é comprar roupa e que, muitas vezes Moda e roupa estão em pontos diametralmente opostos.

Que, às vezes, a gente carece de simplicidade. E de mais um pouco ainda de simplicidade, pra começar a conversar.

E que tem uma infinidade de avisos que eu gostaria de dar, mas que agora eu não consigo formular nada. Porque eu tenho que ir.

Namaste

Gente… eu sou palestrante no Transitus.

Afe!

Tem coisa mais bacana do que falar da pesquisa da gente? Aí, sabe como é, né… fui começar – essa semana – a preparar a apresentação.

E aí, pondo tudo no plano, dá pra entender como um arquiteto/pintor/escultor consegue se envolver com fazeres industriais, projetar outros objetos, perceber outras coisas, sabe?

Projetos gráficos, de joalheria, móveis, roupas, claro, como não?

E tudo fica tão coeso, tão claro e limpo!

Estou amando meu projeto – que me trazia tantas dúvidas e pesares!!!!

O Bruno Munari que me perdoe, mas de repente Moda é design sim!

E um abraço pro povo do d.i.!

A Reforma do Vestido

Projeto de Vestido da Reforma - Kolo Moser

Olha só quem tenta voltar a escrever!

Pelo menos na blogosfera, onde tudo é possível e as idéias ficam por aí…

Bom, no que tenho pensado? Enfim, no design e, claro, no design de Moda, e mais ainda, no meu objeto de estudo, ainda meio blurry, mas aiai, tá aí pra se pensar.

Sabe o que é fascinante no Vestido da Reforma?

Essa história de um produto criado para atender uma demanda que se pronunciava – ali, no horizonte.

Porque, vamos ver, no fim do século XIX em Viena, e, ok, no resto do mundo não era muito diferente, você tinha uma indumentária completa para cada episódio do seu dia – roupa para ficar em casa, roupa para tomar café, roupa de ir à rua, roupa de ir à estação de águas, roupa de ficar à tarde em casa, roupa de sair à noite (e aí, uma infinidade de variações: roupa de ópera, de jantar, de baile, de visita), roupa de estar em casa à noite e todo o aparato de dormir. Só pra mencionar algumas coisas.

Ok, a Amelia Bloomer já tinha pensado em algumas dessas coisas, mas não profundamente, quando propôs aquelas calças bufantes, meio persas, meio caleçon superinflacionado, evidentemente vislumbrando um mundo em que a mulher deixa de ser apenas uma vitrina da saúde financeira daquela família, seja ela, esposa, filha, whatever.

O que me fascina mesmo, que eu acho fantástico, é que um bando de homens – certamente acompanhados de mulheres um tanto “boêmias”, artistas, pintoras, modelos, e, provavelmente com um pensamento alinhado ao seu tempo – começa a ver o design de moda como algo a ser produzido com um propósito diferente do estético, mas com um propósito de atender a essa demanda de participação na vida pública.

A urbe convida à vivência. E é esse mesmo grupo que participa desses projetos de renovação – do espaço público e do privado.

Ao mesmo tempo, os caras percebem que, do jeito que as coisas vão, aquelas roupas que as suas senhoras e amantes estão vestindo não vão servir…

E então?

Então a gente propõe uma coisa que lá nos anos 60 vira costume tão enraizado que a gente esquece que foi diferente que é a criação de um objeto de moda que se presta a qualquer momento do dia.

Sim senhor. E vocês achavam que o jeans era a revolução.

 Pfffffffffffff….